Orcs – Guardiões do Relâmpago de Stan Nicholls

Publicado: 06/08/2012 em Livros, Resenhas
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A propaganda para a venda de Orcs: Guardiões do Relâmpago é a de apresentar o ponto de vista dessa raça que quase sempre foi tratada como vilã na literatura de fantasia, principalmente devido à obra de J. R. R. Tolkien. O livro conta a história de um grupo de orcs que luta contra a invasão humana enquanto serve uma feiticeira perversa e ninfomaníaca.

Todo o enredo é baseado na construção dessa batalha entre os orcs, indivíduos marginalizados que sofrem com a invasão e por terem sua raça dividida, e os humanos, meros destruidores da natureza, da magia e do mundo. Os protagonistas são um pequeno bando de guerra orc liderado por Stryker, tido como um poderoso guerreiro entre seu povo. Sua principal missão é encontrar um artefato que poderá mudar a história das batalhas entre as raças do mundo. E quem o coloca nessa missão é Jennesta, uma feiticeira mestiça que trata seus subordinados do mesmo modo que os maiores estereótipos de vilão de filme da Sessão da Tarde.

Se o livro tenta apresentar personagens diferentes, uma nova versão dos orcs, falha grotescamente. Espera-se que para apresentar o enredo alardeado na capa, o autor crie personagens profundos, uma estrutura cultural e histórica para a espécie, no entanto, tudo o que ele faz é falar humanos são maus, que matam, que escravizam, são arrogantes e perniciosos. Por outro lado, orcs são sempre bons e toda vez que ocorre um ato que poderia ser considerado como mal, o autor coloca em seguida um parágrafo com desculpas e justificativas sobre o ocorrido. No fim, os orcs são bonzinhos e mal compreendidos, adolescentes lutando em prol do mundo. Até quando aparece um orc mal, um desafeto de Stryker, a todo mundo ele é descrito como uma criatura que seguiu um caminho diferente de todo orc, um indivíduo egoísta que terá um final ruim por conta de suas ações pérfidas.

Todos os vilões, aliás, todos os personagens, são meros arquétipos tão profundos quanto um pires. Jennesta é um arremedo de vilão inteligente. Parece até uma figura de desenho animado. É tão caricata que me fez olhar na internet se por acaso o livro não era infantil. Obviamente não era, pois não faltavam palavrões nos diálogos dos orcs. A única coisa original nessa feiticeira que usa sexo para recarregar sua magia foi a bizarra descrição do uso do chifre de unicórnio como consolo no momento de violação de uma elfa.

Os capítulos seguem uma ordem mais ou menos assim: orcs que lutam, Jennesta é muito má (e faz muito sexo), orcs maconheiros, Jennesta é muito má (e faz muito sexo), orcs Rambo que arrebentam com tudo (mas são muito bonzinhos lá no fundo), Jennesta é muito má (e faz muito sexo), orcs Rambo que arrebentam com tudo (mas são muito bonzinhos lá no fundo)

Orcs: Guardiões do Relâmpago é , no fim das contas, um livro que exige muita paciência para se ler. Nada tem da originalidade que propõe e não adiciona um filigrama à já saturada literatura de fantasia. Se for para ler personagens estereotipados, melhor em um enredo interessante como nos livros de Dragonlance.

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