A Fúria dos Reis por George R. R. Martin

Publicado: 16/08/2012 em Livros, Resenhas
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A Fúria dos Reis (Clash of Kings) é o segundo livro das Crônicas do Gelo e do Fogo (Song of Ice and Fire). No primeiro livro a história se baseia na manutenção do poder da casa Baratheon, quando o rei procurava ajuda de seu melhor amigo, Eddard Stark, para ajudar a fazer algo que não sabia, governar. No segundo, as intrigas políticas continuam, com uma diferença fundamental, agora as ameaças veladas se tornaram uma guerra em que reis são declarados e lutam para tomarem o Trono de Ferro, a representação do poder máximo do reino de Westeros.

Assim como no romance anterior, a história continua sendo contada a partir de pontos de vista (PdV). Cada elemento da trama é contado de acordo com a visão dos personagens, mesmo que as ações deles não sejam essenciais à trama. Aqui ainda temos a Casa Stark com os principais personagens, apesar de se abrir espaço para os Greyjoy, representados por Theon. O lema dos Stark é a sobrevivência, com o filho mais velho lutando em prol do nome do pai e dos homens do norte, e os mais novos espalhados por Westeros, cada um tentando se manter vivo como pode.
Outros personagens essenciais à trama, como Tyrion (representando os Lannisters e o que ocorre na capital) e Daenerys (da exilada casa Targaryen), mostram como as outras casam se comportam no meio da guerra e dão pequenas pistas sobre o futuro dos reinos. Aliás, o modo como o autor apresenta as ações de pessoas importantes mas sem PdV é feito discretamente, de maneira que o leitor precisa permanecer atento para entender o que ocorre nas entrelinhas ou o que uma criança como Arya Stark não é capaz de entender.

A política perniciosa de Westeros, com indivíduos que desejam mais seus ganhos do que o do povo ou do reino, continua sendo o foco, com a guerra atuando como uma extensão dos anseios de cada grupo. As relações pessoais são aprofundadas com foco na desavença e nas ambições, sem deixar de citar as traições. O autor apresenta cada um desses tópicos lentamente, com descrições vívidas de como os indivíduos encaram as situações. Assim ele não se aprofunda em debates psicológicos solitários por muito tempo, mas sim em reações.

Um exemplo disso é Davos, o cavaleiro das cebolas, que executa todas as ordens de Stannys Baratheon sem questionar profundamente os motivos ou as conseqüências. Um nobre de pouco peso, odiado pelos homens de famílias de linhagem antiga, esse capitão e contrabandista procura aconselhar, servir e agir sem que as decisões dele mesmo sejam sempre de influência fundamental no que ocorre no decorrer do livro. Davods reflete pouco e para si mesmo, reagindo e demonstrando o que acontece ao seu redor para que o leitor possa entender quais as facetas de mais uma extensão da trama.

O segundo livro das Crônicas do Gelo e do Fogo é uma continuação excelente, aliás, melhor, da série. Aqui surgem novos personagens de PdV que fazem o leitor acompanhar outras regiões de Westeros e seguir os passos da guerra com cada vez mais anseio, sem que a história se torne previsível ou cansativa.

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