Os Mitos Celtas por Pedro Pablo g. May

Publicado: 10/11/2012 em Livros, Resenhas
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Livros de estudo sobre mitologia sempre são complicados de se escrever. Trabalhos sobre a mitologia celta ainda mais complicados devido às fontes contraditórias e muitas vezes tendenciosas feitas principalmente por oponentes do povo que pretendiam ou ganhar fama lutando contra ele, como César, ou estudiosos que procuravam identificação da cultura com a própria.

Quando se junta isso a um pesquisador tendencioso, a coisa complica ainda mais. É o que acontece em Mitos Celtas, um livro que poderia ser uma boa introdução para os Mitos Celtas, se não fossem alguns problemas de metodologia.

Já fiquei chateado ao ler quando o livro começa com o trágico recalque dos derrotados. Isso é justamente aquela loucura fanática que alguns autores têm de defender uma idéia atacando outras mesmo quando não existe a mínima necessidade disso. Derrotados é uma expressão forte, mas refere-se às culturas que foram vencidas tanto militarmente quanto socialmente durante a história, por mais magníficas que fossem. Impérios, povos e reinos crescem e devanescem e isso é parte inevitável da existência humana, por mais nos desagrade!

O livro começa com críticas à cultura grega e romana que se estenderão durante a narrativa, todas sempre colocando abaixo a cultura greco-latina em relação à celta. Eu poderia ter parado aí, mas gosto demais da cultura celta para parar de ler um livro sobre o assunto.

Continuei lendo para encontrar defesas e até justificativas como o costume para se arrancar crânios e usá-los como bebidas. Essa passagem trágica comenta que existia um costume celta de se colocar crânios dos vencidos nas portas das casas e até de usá-los para beber e, segundo o autor, isso não deve ser visto como um costume bárbaro, mas perfeitamente compreensível. Certo, atendo-se à veracidade do fato, eu me pergunto: por que um livro de discussão sobre mitologia e história precisa justificar ao pensamento atual um costume de um povo antigo? Que estupidez é essa? É recalque dos derrotados, quando alguém acha que a cultura, religião ou idéia que ama não foi justamente aceita pela sociedade. É como alguém que queria que fosse feito do filme A Fúria dos Thuata de Danan ao invés de a Fúria dos Titãs.

Continuei lendo, pois mesmo um livro ruim não me demove da paixão que tenho por mitologia e ainda mais pela celta! As comparações com a cultura grega e latina continuam, ma os que é pior é a indecisão do autor. Ele não sabe se relata história, se relata sobre cultura, se narra os contos e as lendas. Ele mistura tudo, sem ter uma continuidade significativa. Faltou metotologia na escrita.

Apesar dessa minha crítica, o livro tem pontos aproveitáveis, apesar de que todos se encontram hoje na Internet. A discussão da Wikipedia é até melhor.

Achei uma pena, pois sempre acho uma pena quando uma cultura magnífica não é bem descrita em um livro assim. E os lançamentos sobre os celtas são raros no Brasil. A cultura merece sim uma discussão maior e profunda, além de estudos aplicáveis, só não acho que esse tipo de defesa de Os Mitos Celtas seja necessária.

Opinião final: não recomendo.

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