Conto: Demoeste – Parte I

Publicado: 16/08/2013 em Contos, Publicações
Spawn

A imagem que me inspirou a escrever o conto.

Segue abaixo a primeira parte do conto Demoeste, um conto sobre um canalha destinado ao Inferno, mas que volta por algum motivo…

Baixe em formato Mobi aqui ou em formato Epub aqui.

Ou leia abaixo, nesse blog:

John Kruger era um canalha. Era um daqueles indivíduos que as pessoas olhavam na rua e torciam para que a filha nunca se apaixonasse por tal pessoa. O caso da canalhice dele era tão conhecido que uma vez ouviu-se o pastor de Sand City comentar que preferiria ter um filho viado a um filho como o Kruger. E ele, o reverendo Marshall, senhor recatado, marido fiel, homem da fé, não era de usar tais palavras. Mas a canalhice de Krueger afetava profundamente as pessoas.

 

O motivo disso talvez fosse o modo desembalado com que ele lidava com a vida. Era como um pedaço de toco na enxurrada, parando aqui e ali e vivendo na sujeira em que a correnteza o deixasse. E era isso o que incomodava muita gente. Por incrível que pareça, era o que mais incomodava gente como o reverendo Marshall e não os assaltos e assassinatos que aquele sujeito, o melhor atirador da região, cometia.

 

Ele era o melhor sim, a despeito do que Rob a Bala Perfeita dizia. O problema de Kruger era a falta de administração, por isso ele não era o mais reconhecido nem o mais procurado nem o mais rico dos salteadores do oeste dos Estados Unidos da América. John Kruger era um sujeito que bebia demais, falava demais, gastava dinheiro demais e, em suma, fazia bobagem demais da vida. E, para a irritação de quem não gostava dele, ou seja, todo mundo que o conhecia ou já ouvira falar dele, o sujeito não morria, não ficava doente e nem mesmo levava um tiro que fosse. Nem daqueles de raspão! Nem saía cheirando pólvora depois de um duelo. Saía era fedendo álcool.

 

Um dia o reverendo, em sua pacífica e bela atitude de conversar com as almas perdidas de Deus, parou Kruger em frente à rua principal, quando os cavalos passavam e o vento carregava a poeira do meio dia. Apontou um dedo com a mão direita e mostrou a Bíblia com a esquerda:

 

– Olhe para esse livro, seu desgraçado filho do Diabo! Olhe bem, pois nele está escrito que você vai arder no fogo do inferno até que cada gota desse álcool que você fede seja queimado.

 

Kruger, ainda com a cabeça doendo e vendo todas aquelas folhas balançando diante dele, estendeu a mão e pegou a Bíblia.

 

– Obrigado, revendo, obrigado! – disse com um alívio insano.

 

Marshall, em sua eterna humildade religiosa, supôs logo que Cristo havia baixado ali mesmo e convertido o último filho do Diabo da Terra. Observou atônito enquanto Kruger se distanciava e mais atônito ainda no dia seguinte quando encontrou as folhas do livro sagrado sujas de merda na latrina perto da igreja. Foi isso que deu início à segunda fase da existência de Kruger.

 

– Que o Diabo venha te pegar! – gritou o reverendo no meio da rua, babando como um cão doente!

 

Se antes as pessoas se perguntavam por que valeria a pena contar a história de alguém como Kruger, agora fica mais claro, afinal, aqui ficamos sabendo que o Diabo, ou algum representante, realmente veio, e o canalha vendeu sua alma! Certo, muita gente sai por aí vendendo a alma e nem por isso as histórias são interessantes, mas quando um sujeito vende o espírito e se condena a ir pro Inferno pra poder comer uma puta em Sand City, então ele realmente merece ter sua história contada.

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