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ImagemReinos de Ferro (Iron Kingdoms) é um dos melhores cenários de RPG que eu conheço. Não tardou a ganhar romances ambientados nesse mundo de fantasia onde a tecnologia a vapor se mistura à magia, dando origem à histórias interessantes e todo tipo de armamento que mistura o melhor do estilo medieval e magia com a modernidade da Era Industrial.

In Thuner Forged é o primeiro livro da série The Fall of Llael, descrevendo os eventos da guerra do reino de Cygnar contra o reino de Khador. O enredo trata especialmente de grupos especiais lutando para evitar que uma nova fórmula alquímica caia nas mãos erradas.

O livro é interessante, mas pelas batalhas e descrição do reino em si. A história chama atenção mais de quem é fã do RPG do que de quem quer ler uma boa história de fantasia. É plana demais, sem muitas surpresas. O interessante acaba sendo apenas os bons combates descritos.

O ponto mais fraco dos livros são os personagens. São muito mal descritos, a ponto de parecerem apenas classes de personagens. As três personagens principais, por sinal, são tão semelhantes que em um pouco ou outra eu as confundi quando li com um pouco de desatenção. Fico em dúvida se todas eram necessárias ou se o livro foi escrito muito rapidamente. São praticamente os mesmos anseios, as mesmas dúvidas, variando apenas no tipo de classe de personagem ou missão que cumprem. Nenhum dos personagens masculinos é descrito além de suas habilidades mágicas.

O tom militar tenta ser passado no livro, mas ocorre o tempo todo questionamento de ordens e personagens fazendo beicinho porque uma patente superior lhes tirou o comando. Fico pensando como um exército em uma situação como aquela pode funcionar com esse tipo de questionamento o tempo todo em missões especiais.

É um livro interessante, mas acaba o sendo por ser curto, pois, com esses tipos de personagens e pontos pouco similares ao que se propõe sobre campanhas, se tornaria enfadonho se fosse muito maior.

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Achmere é um mundo de guerra, em que o ódio permeia o ar, a intolerância contamina a terra e a desconfiança mina a razão. No meio dessas perturbações, um grupo de seis companheiros é forçado a permanecer juntos por causa de uma maldição, ou, segundo alguns, uma bênção.

BENÇÃO DO INIMIGO narra os primeiros passos desses guerreiros, sacerdotes e magos de sentimentos conflituosos, buscando uma cura para um mal que não compreendem, mas com o qual convivem na pele todos os dias.

O romance de Joe Abercrombie é difícil de resenhar. Com certez,a me deixou na dúvida sobre qual nota dar no fim das contas. Três em cinco, quatro em cinco?

The Blade Itself é um livro muito bom de se ler. Nessa história, quatro personagens diferentes, mas com as vidas entrelaçadas, ainda que não saibam disso, vão sendo descritos aos poucos. Seu histórico, seus anseios, seus medos são revelados pouco a pouco pelo autor a medida que se depararam com outras pessoas que influenciarão sua vida. Jezal,um nobre egocêntrico e imaturo, vai percebendo aos poucos o que é ter um objetivo na vida e sofre com isso. Logeen tem um passado tão obscuro quanto furioso e agora, manso, tenta se deixar levar pela onda. West precisa conviver com uma posição que conseguiu por merecimento, mas que todos acham que devia ser adquirida por nascimento. Glokta já foi herói, agora despeja sua ira em seu povo. Ferro é uma mulher que só conhece a fúria e pouco consegue sentir além disso.

Os destinos deles são entrelaçados por Bayaz, primeiro entre os magos. Os capítulos, centrados nos pontos de vistas dessas pessoas, são rápidos e nem um pouco casativos. Se ocorre algum problema é encontrar um tema central no livro. A trama não parece tão amarrada. Deixa o leitor solto, quase a acompanhar os personagens como se não houvesse um propósito para o livro. Como The Blade Itself não foi escrito para ser assim, fica sempre em suspenso para que realmente serve a história. Esse é o ponto ruim, talvez por ser o livro introdutório de uma trilogia. Pelo restante, The Blade Itself é um livro muito bom e o que me faz dar uma nota 4/5 é a descrição do último capítulo com o ponto de vista de Logeen.

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A propaganda para a venda de Orcs: Guardiões do Relâmpago é a de apresentar o ponto de vista dessa raça que quase sempre foi tratada como vilã na literatura de fantasia, principalmente devido à obra de J. R. R. Tolkien. O livro conta a história de um grupo de orcs que luta contra a invasão humana enquanto serve uma feiticeira perversa e ninfomaníaca.

Todo o enredo é baseado na construção dessa batalha entre os orcs, indivíduos marginalizados que sofrem com a invasão e por terem sua raça dividida, e os humanos, meros destruidores da natureza, da magia e do mundo. Os protagonistas são um pequeno bando de guerra orc liderado por Stryker, tido como um poderoso guerreiro entre seu povo. Sua principal missão é encontrar um artefato que poderá mudar a história das batalhas entre as raças do mundo. E quem o coloca nessa missão é Jennesta, uma feiticeira mestiça que trata seus subordinados do mesmo modo que os maiores estereótipos de vilão de filme da Sessão da Tarde.

Se o livro tenta apresentar personagens diferentes, uma nova versão dos orcs, falha grotescamente. Espera-se que para apresentar o enredo alardeado na capa, o autor crie personagens profundos, uma estrutura cultural e histórica para a espécie, no entanto, tudo o que ele faz é falar humanos são maus, que matam, que escravizam, são arrogantes e perniciosos. Por outro lado, orcs são sempre bons e toda vez que ocorre um ato que poderia ser considerado como mal, o autor coloca em seguida um parágrafo com desculpas e justificativas sobre o ocorrido. No fim, os orcs são bonzinhos e mal compreendidos, adolescentes lutando em prol do mundo. Até quando aparece um orc mal, um desafeto de Stryker, a todo mundo ele é descrito como uma criatura que seguiu um caminho diferente de todo orc, um indivíduo egoísta que terá um final ruim por conta de suas ações pérfidas.

Todos os vilões, aliás, todos os personagens, são meros arquétipos tão profundos quanto um pires. Jennesta é um arremedo de vilão inteligente. Parece até uma figura de desenho animado. É tão caricata que me fez olhar na internet se por acaso o livro não era infantil. Obviamente não era, pois não faltavam palavrões nos diálogos dos orcs. A única coisa original nessa feiticeira que usa sexo para recarregar sua magia foi a bizarra descrição do uso do chifre de unicórnio como consolo no momento de violação de uma elfa.

Os capítulos seguem uma ordem mais ou menos assim: orcs que lutam, Jennesta é muito má (e faz muito sexo), orcs maconheiros, Jennesta é muito má (e faz muito sexo), orcs Rambo que arrebentam com tudo (mas são muito bonzinhos lá no fundo), Jennesta é muito má (e faz muito sexo), orcs Rambo que arrebentam com tudo (mas são muito bonzinhos lá no fundo)

Orcs: Guardiões do Relâmpago é , no fim das contas, um livro que exige muita paciência para se ler. Nada tem da originalidade que propõe e não adiciona um filigrama à já saturada literatura de fantasia. Se for para ler personagens estereotipados, melhor em um enredo interessante como nos livros de Dragonlance.

Tormenta de Espadas

Publicado: 01/08/2012 em Livros, Resenhas
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Tormenta de Espadas (Storm of Swords) é o terceiro livro das Crônicas do Gelo e do Fogo (Song of Ice and Fire). É uma continuação esplêndida desse série magnífica, seguindo com um aumento constante de qualidade. Se o primeiro livro é excelente, o segundo mais do que isso, o terceiro precisa de elogios maiores ainda.

A Guerra dos Cinco Reis continua a atormentar Westeros. As alianças foram declaradas, mas, como fica claro na série, palavras são vento. Cada rei, com seu grupo de aliados, avança nos campos de batalha. No norte, os Greyjoy não perdem oportunidades, principalmente se aproveitando de diversas jogadas políticas e ações impetuosas ocorridas no primeiro livro. Mesmo depois dos eventos do segundo livro, a chama continua acesa entre os Baratheon, representados principalmente por Stannis, com a sacerdotisa vermelha dando poder política necessário para que conquiste seus direitos de herança. Os Stark, com seu poder agora mais ao sul, avançam em vitórias constantes, mas sem conseguirem tonar a guerra permanentemente a seu favor. Enquanto isso, os Lannister continuam a maquinar.

Por mais que os outros livros tenham eventos importantes, nada é tão decisivo quanto em a Tormenta de Espadas, o melhor livro da série até o momento (li todos os cinco já lançados). Novos Pontos de Vista (PdV) como Jaime Lannister e Samwell Tarly são apresentados, demonstrando mudanças nesses personagens, além de posições diferentes nos meios políticos em que se encontram. Outros personagens, como Catelyn Stark, continuam sendo importantes mais como observadores do que como indivíduos cujas ações transformam a história. Isso não minimiza sua importância no futuro, pois cada anseio demonstrado por Cat, por exemplo, deixa transparente a profundidade do personagem e como as ações que a cercam engolfam e mutilam as pessoas.

PdV mais importantes como os de Jon Snow mostram novas faces da história como a guerra depois da Muralha, que não recebe a atenção merecida dos governantes do sul. Nesse momento, a Patrulha da Noite tem que lidar com as conseqüências das atitudes que Snow foi forçado a tomar no segundo livro, o que transforma a identidade do personagem e até mesmo dessa sociedade guerreira.

Bem mais ao sul, os PdV de Tyrion e Sansa mostram que nada está calmo na capital de Westeros. Cersei luta pelo poder, tramando para que mantenha influência máxima. Nisso, humilha o irmão e põe de lado aquela que deveria ser sua nora. A aliança da rainha segue contextos bastante interessantes, com outras doses de traições, ao precisar disputar espaço com uma nova e poderosa casa, os Martell, agora aliados, mas não necessariamente amados, pelos Lannister.

Nenhum personagem com PdV deixa de sofrer nesse livro. Todos são deslocados de algum modo de suas posições, seja isso politicamente ou geograficamente. Alguns como Tyrion são levados ao extremo de sua raiva, outros como Sansa são carregados pela corrente turbulenta. Mas, apesar de importantíssimos, em nenhum dos casos, os eventos são tão dramáticos quanto no ápice do livro. Não vou descrever o que acontece obviamente, mas o que é descrito nos fóruns como RW é um dos mais chocantes capítulos não só das Crônicas do Gelo e do Fogo, mas de toda a literatura de fantasia (ao menos para quem aprendeu a amar todos os personagens de Westeros).

Tormenta de Espadas é, repito, o melhor livro da série. O quarto e o quinto nem se aproximam, portanto George Martin precisará se esforçar bastante para se superar nos dois livros que ainda restam.