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the-walking-dead-3-temporada1A terceira temporada de The Walking Dead foi uma das mais tensas da série. A primeira foi um prelúdio para conhecer os personagens ainda atordoados com a praga zumbi e pouco modificados em relação à sua vida original. Na segunda, o mundo começa a mudá-los. A pressão para sobreviver mostra a necessidade de o grupo se unir e mudar diversos de seus conceitos levando cada um e, principalmente, Rick a extremos que nunca teriam ousados.

Logo no primeiro episódio da terceira temporada já se percebe quais os pensamentos de Rick. O simples ato de jogar no lixo a comida de cachorro encontrada pelo filho demonstra que ele se recusa a continuar descendo tanto a despeito do cansaço, fome e desespero daqueles que guia. O objetivo é continuar se mexendo e escapando da praga zumbi até que, finalmente, encontram uma prisão que parece ser um refúgio.

As ações de Rick se tornam cada vez mais extremadas. Os outros observam atordoados e incapazes de tomar qualquer atitude, principalmente após os últimos diálogos da segunda temporada. Assim os primeiros quatro episódios da terceira temporada são intensos em níveis comparados apenas a meados da segunda temporada. Após isso, começam os contatos mais frequentes com a comunidade de Woodbury liderada pelo Governador. Os níveis de tensão descem bastante por alguns episódios, flutuante até o excelente final de temporada.

Devido ao fato de ter dezesseis episódios, esse ano da série foi atípico. Houve mais momentos em que o roteiro não era uma soma completa ao enredo, mas simplesmente partes extras para descrever situações como um ou outro personagem perdido ou vivenciar melhor o drama dos sobreviventes. Os episódios não são ruins, são simplesmente uma parada na montanha russa de emoções que a série gera. Essa foi, com certeza, a melhor temporada até o momento com um fim merecedor de tudo o que tem sido feito ao longo do seriado.

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scandal-embed1Às vezes fica difícil entender por que algumas séries possuem mais de uma temporada ou, ainda, por que alguns atores são escolhidos para certos papéis. Scandal é uma série perfeita para esse exemplo. A história se passa no ambiente político de Washington, após a vitória de um candidato apoio por Olivia Pope, cuja principal tarefa é trabalhar com a imagem de alguns dos figurões da política norte-americana. Enquanto faz seus trabalhos em episódios fillers, conta-se a história principal da luta de Pope com as tais forças do mal que cercam o presidente americano e acabam com a amor dessa anti-heroína.

Boa parte do enredo é mal escrita, com diversas cenas previsíveis e diálogos que se resumem a dizer: Pope é foda… ela é de aço por fora, mas tem um coração doce por dentro e salva todo mundo. Muitos os episódios lidam com uma briga tediosa com o politicamente correto e a batalha da atriz principal em tornar Pope uma personagem crível que possa segurar a série. Difícil de conseguir quando suas jogadas básicas de interpretação são fazer biquinho, falar pausadamente e mostrar os dentes quando quer ser ameaçadora. O que parece que ninguém entende é que é preciso ter um ator de calibre para misturar esse tipo de divergência. O enredo já sendo ruim, seria preciso alguém melhor. Mesmo nos piores episódios de House, Hugh Laurie conseguia segurar a onda e, simplesmente sua interpretação, salva-nos do tédio (exceto o do final, que foi muito ruim). Em Damages, Glenn Close demonstra o que é ter talento. Nem é preciso falar de House of Cards e Kevin Spacey interpretando Francis Underwood. Até mesmo Don Cheadle consegue segurar muito melhor a onda de anti-herói em House of Lies.

O fato é que Scandal não é só ruim pelo roteiro previsível, fraco e canastrão, mas também pela péssima escolha na atriz principal.

 

house of cardExistem vários tipos de séries disponíveis hoje em dia, mas poucas possuem a inteligência no enredo e os bons atores como ocorre em House of Cards. Aqui as batalhas políticas da Casa Branca são levadas ao extremo por Francis Underwood, personagem vivido por Kevin Spacey. Esse político e sua esposa, unidos em uma relação mais contratual do que matrimonial, batalham contra o mundo para alcançarem suas ambições finais. No meio do caminho, encontram personagens fragilizados ou que ganham força a partir dessas manipulações. As guerras diplomáticas se estendem dentro da política norte-americana, englobando cada vez mais pessoas em uma rede de intrigas e corrupção.

 

House of Cards é uma das melhores séries recentes. Nos treze episódios da primeira temporada, apenas um pode ser considerado descartável, ao contrário do que acontece em muitas outras séries que precisam de encher-se de um ou outro ponto perdido que mais parecem side-quests de jogos de RPG. Os atores trabalham com uma excelência pouco vistas nas séries. Kevin Spacey exerce seu papel com uma perícia que impressiona. Os momentos em que se dirige ao público, revelando suas intenções, são soberbos. Cada piscada de olho para a audiência, sua cúmplice em todas as jogadas, é uma jogada perfeita. Apenas um ator assim para segurar esse tipo de roteiro. É preciso ter nível. House of Cards com certeza encerra uma temporada no ápice das séries que pretendo continuar assistindo. Estava difícil conseguir uma assim nos últimos tempos.

 

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The Following foi uma das primeiras estreias de 2013 e começou bem, muito bem. Estrelando Kevin Bacon como um investigador do FBI, a premissa é a fuga de um assassino serial. Joe Carroll matou 14 jovens na universidade em que lecionava e o modus operandi assim como as motivações são revelados aos poucos ao longo do episódio. Cada uma das pessoas que passou pela vida de Carroll foi inevitavelmente marcada, a começar por Ryan Hardy, o personagem de Bacon. Mostram-se a seguir vítimas e parentes com seus respectivos flashbacks.

A série é interessante não por ser apenas uma mera investigação a procura de psicopatas. Isso já é feito em Criminal Minds com seus analisadores de perfis. Aqui, apesar das análises de perfil e do trabalho de detetive, o objetivo é perceber o que se passa na mente de Joe Carrol e como ele consegue gerar seguidores. Esse último fato chama atenção pois a obsessão por assassinos em série ocorre com frequência nos Estados Unidos, com fãs que redigem cartas para os capturados e os adoram em blogs e leem seus livros. The Following trata disso, utilizando ao mesmo tempo um conteúdo metalinguístico interessante.